Regiões nobres de SP possuem mais zonas de alagamento

Portal imobiliário Properati cruzou dados de imóveis anunciados na capital com informações da Prefeitura e identificou regiões mais suscetíveis a inundações

Na hora de adquirir uma residência, um dos critérios de escolha que mais pesam para o comprador é a localização do imóvel. Proximidade com o trabalho, fácil acesso à rede de transporte público e infraestrutura ladeada por praças e parques arborizados são características imprescindíveis para uma localização que se possa chamar de “privilegiada”. Em São Paulo, no entanto, os compradores devem pesar um fator a mais na hora de escolher o lugar ideal para morar: o risco dealagamentos.

Conhecida como "Terra da Garoa", a capital paulistana vive dias de trânsito e caos quando a chuva se anuncia. E o que parecia ser um problema restrito às regiões mais pobres e afastadas do centro urbano, dada a precariedade de sua infraestrutura, é também, na verdade, um privilégio dos mais ricos. Segundo levantamento realizado pelo portal imobiliário Properati.com.br, os imóveis mais caros da capital estão localizados em áreas recordistas em pontos de alagamentos.

Para chegar a essa conclusão, o Properati.com.br levantou dados da sua base de anúncios na capital paulista, considerando preços dos imóveis por distrito (forma de divisão administrativa da cidade que delimita geograficamente alguns dos serviços públicos), e cruzou os números com informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, que registrou, entre janeiro de 2010 e abril deste ano,  um total de 6.439 casos de alagamentos em toda a cidade. 

Nesse período, o distrito de Moema registrou 122 pontos de alagamento. O custo médio do m² para viver na região é de R$ 12.782, o mais caro da cidade, segundo o Properati. O Distrito de Pinheiros, cujo valor médio do m² é o segundo mais caro, a R$ 12.285, registrou, por sua vez, 131 pontos de inundação. Já o distrito do Itaim Bibi contabilizou 141 áreas alagadas. O preço médio do m² na região é de R$ 11.797, terceiro mais valorizado da capital.

Mas foi o distrito de Perdizes que ficou de baixo da água ao longo do período informado: a região concentrou, sozinha, 190 pontos de alagamento. O destaque negativo da localidade fica por conta da praça Marrey Júnior, próxima ao estádio Allianz Parque, do Palmeiras. Em pouco mais de cinco anos, o local apresentou 75 casos de alagamentos, tanto na Avenida Sumaréquanto no trecho da Rua Turiassu, recentemente rebatizada de Rua Palestra Itália. O distrito de Perdizes é o nono mais caro para se viver em São Paulo, com o m² custando, em média, R$ 9.755.

O segundo distrito com mais problemas de alagamentos é Santo Amaro, a região com o 11º m² mais caro da cidade (R$ 8.907). O CGE registrou um total de 186 casos de alagamentos. O destaque negativo fica por conta do cruzamento da Avenida Santo Amaro com a Avenida Roque Petroni Júnior, com 32 casos.

Outros distritos nobres imersos em alagamentos são Barra Funda (159 pontos de alagamento), Lapa (103) e Morumbi (155), todos na lista das 20 regiões mais caras para se viver na capital.

Bairros mais afastados 

Os números cedidos pelo CGE mostram que alguns distritos historicamente menos privilegiados, com o m² mais em conta e localizados em regiões mais periféricas da cidade, estão em áreas menos propícias a enchentes. É o caso da Brasilândia, na zona norte da capital, cujo valor médio do m² é de R$ 5.965. No período analisado pelo Properati, foram registrados apenas três pontos de alagamentos. O distrito de Cachoeirinha, também na zona norte de São Paulo, registrou o mesmo número de casos dealagamento. 

Os distritos de Cidade Tiradentes, Sapopemba, Guaianases, São Rafael e Itaim Paulista, com o m² abaixo de R$ 6 mil, ficaram entre os menos afetados com problemas de inundações, registrando, no máximo, seis pontos de alagamentos cada.

Todos os dados foram compilados pelo Properati.com.br em uma tabela que pode ser acessada aqui . 

Sobre o Properati

O portal de venda e aluguel de imóveis Properati (www.properati.com.br) nasceu na Argentina, em setembro de 2012, com objetivo de trazer mais agilidade e eficiência ao usuário que busca um imóvel na América Latina e mais oportunidades de negócios para quem vende. O Properati chegou ao Brasil em março de 2014, com investimentos dos fundos Eastpoint Ventures, Patagonia Ventures, GroupArgent, Gravlax Ventures e NXTPLabs. Em outubro daquele ano, a empresa recebeu um aporte financeiro de US$ 2 milhões dos fundos de investimentos NEVEQ II e NXTP, que se somaram ao investimento inicial de US$ 200 mil, e, em janeiro de 2015, lançou seu aplicativo mobile. Em maio deste ano, o portal imobiliário recebeu sua segunda rodada de investimento, no valor de US$ 2 milhões, pelos grupos Neveq Ventures, NXTP Labs e Telor International Limited. O Properati tem hoje mais de um milhão de imóveis cadastrados no país. 

 

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