Marta Suplicy fala com exclusividade à revista Poder

Com cancha na política e um histórico que mistura polêmicas e exemplos de boa gestão, a senadora Marta Suplicy se diz pronta para disputar, de novo, a prefeitura da maior cidade no país. Continua boa de briga, mas vários tons abaixo.

POR NATALY COSTA  FOTOS BRUNO FUJII

Bruno Fujii
Clique na imagem para fazer o Download...
Marta Suplicy
Alta | Web

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

 “O PMDB é estruturado e me dá espaço para trabalhar dentro do que acredito”. Ah, bom. Mas a corrupção... Ela, então, evita citar os caciques do partido e faz um comentário genérico: “Existem investigações dentro do PMDB, mas é diferente. Lá são pessoas investigadas. No PT é sistêmico, é dinheiro público na veia partidária para a manutenção do poder. Quando percebi isso, saí”.

 “Quando saí do PT, os petistas entenderam muito bem, fiquei até impressionada com a compreensão”, conta. “Agora, com a questão do impeachment, senti que embaçou um pouco. Houve uma radicalização de posições”, diz a senadora, que votou a favor do afastamento da ex-colega Dilma Rousseff. “Essa história de golpe é ultrapassada. Não tem nada a ver dizer que ser a favor do impeachment é ser de direita. Não passa por aí e, sim, por perceber que o país precisa sair da paralisação”, defende-se, sem definir sua posição no espectro político. “Se ser de esquerda for defender minorias, igualdade social, posso me considerar assim. Mas são termos ultrapassados.”

O posicionamento pró-impeachment acabou colocando Marta em um impasse diante dos grupos pelos quais sempre militou, como o feminismo e o LGBT, hoje fortemente engajados no Fora, Temer. “Não posso falar por eles, mas falo por mim. Eu não mudo nenhum centímetro da minha posição a favor desses grupos. No Senado, ainda sou a pessoa que os escuta e os recebe”, diz. Marta sabe que o movimento gay em peso rechaça um governo em que um dos líderes é Eduardo Cunha, autor de um projeto de lei que criminaliza a “heterofobia” e outro que cria o Dia do Orgulho Hétero. Para quem já foi madrinha de Parada Gay, ficou no mínimo esquisito militar ao lado de uma figura tão conservadora, não? “O movimento LGBT foi muito prejudicado com o Cunha, ele não colocava os projetos nem em pauta. Mas não é só ele, o Congresso é muito conservador. Tem a bancada BBB (bala, bíblia e boi)...”, relativiza. Para Marta, o reacionarismo do deputado evangélico “não é uma posição peemedebista”. “No PMDB, as pessoas têm liberdade de se posicionar. No PT não tem disso, todo mundo vota igual”, compara.

Sobre a gestão de Fernando Haddad: Ciclovias? “Algumas são apenas ciclotinta com um monte de buraco.” Gestão da saúde? Atrasada. Política para a população mais pobre? Não fez. Programa para a cracolândia? Mal planejado. “Se ele tivesse sido um bom prefeito teria chances de reeleição, apesar do PT”, opina. “A gestão dele é excludente e beligerante. Sempre coloca dois lados para brigar, é Uber contra táxi, comércio contra residência, carro contra bicicleta. Não consegue dirimir conflitos”, diz, em um discurso que rescende a horário eleitoral.

 “Outro dia teve um seguidor que falou que achava absurdo eu ainda assinar como Suplicy. Não é de outro planeta?”, comenta, referindo-se ao sobrenome do ex-marido, que ainda carrega (mas usa cada vez menos, preferindo somente ‘Marta’ ou ‘Marta Senadora’ nas redes sociais). “Respondi: você está se metendo no que não entende. Como uma pessoa que foi casada 37 anos, escreveu nove livros e construiu uma carreira com o nome não pode usá-lo, se o dono do nome concorda?”.

A publicação, editada pelo Grupo Glamurama, estará nas bancas de todo o Brasil a partir do dia 15 de julho.

Para mais informações, acesse www.glamurama.com.br

Tanto a nota como as fotos só podem ser utilizadas se creditadas à revista PODER.

Sobre Grupo Glamurama

Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet. Alem do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch e PODER.

 

 

CelebridadesGlamuramaINDEX ASSESSORIAPolítica