Maus hábitos podem comprometer audição

O desgaste do ouvido é algo natural e ocorre de modo similar a qualquer outro órgão com o avanço da idade, mas os maus hábitos, ainda na juventude, podem diminuir a qualidade de recepção sonora e até mesmo comprometer a audição. Dentre os descuidos mais comuns estão a exposição excessiva ao ruído, o introdução de objetos pontiagudos nos ouvidos, infecções e uso de medicamentos sem prescrição médica. 

A primeira coisa a ser abolida do dia a dia no cuidado com os ouvidos é o uso de hastes flexíveis.  Eventualmente, elas podem ser utilizadas, mas apenas para a limpeza externa, assim como a toalha, o algodão ou o papel macio. É importante o entendimento de que a cera constitui uma barreira de proteção natural contra os microorganismos.

As infecções (otites) no ouvido são muito comuns durante a infância, mas não limitadas a essa fase da vida. Nas crianças, as três principais causas das inflamações estão relacionadas às secreções nasais, à posição que a criança é amamentada, geralmente deitada (os líquidos passam pela tuba auditiva) e ao fato de o canal auditivo não estar completamente desenvolvido. Nesses casos, a recomendação é que os pais mantenham as vias aéreas das crianças sempre limpas e, na dúvida, procurem a ajuda de um otorrinolaringologista ou de um pediatra.

Nos adultos, as dores de ouvido e as coceiras são os sintomas das inflamações. As causas mais comuns das otites externas estão relacionadas ao contado dos ouvidos com a água, ao uso de hastes flexíveis e a problemas respiratórios. Proteger os ouvidos com tampões e secar bem a parte externa ao término da atividade podem ajudar a evitar o problema.

Outro cuidado refere-se ao uso de medicamentos, que deve ser sempre assistido pelo médico. Alguns remédios, chamados ototóxicos, podem causar problemas auditivos, ainda que a ototoxicidade seja temporária e os distúrbios não perdurem. Estima-se serem duas centenas os remédios considerados ototóxicos.

A exposição a ruídos também deve ser comedida. Quando frequente e por longos períodos, sons acima de 80 decibéis – o que equivaleria a uma rua com tráfego pesado na hora do rush – podem provocar perda auditiva e danos irreversíveis à audição. Os fones de ouvido podem ser usados, desde que respeitado o volume tolerável pelos ouvidos e o tempo de exposição, não sendo aconselhável passar dos 80 decibéis nem de 8h diárias de uso.

Além dos usuários de fones de ouvidos, profissionais que trabalham em ambientes ruidosos devem estar atentos à saúde auditiva e sempre fazer uso dos equipamentos de segurança do trabalho, entre eles os protetores auriculares.

A perda auditiva, ao contrário do imaginário popular, não atinge apenas pessoas com idade avançada. O ouvido é um órgão muito sensível, que requer cuidado continuado, durante toda a vida, a fim de que suas funções – de equilíbrio e transmissão de sons para o cérebro – sejam preservadas. Ao longo da vida, a recomendação é incluir o teste de audiometria no check-up anual, principalmente a grupos mais expostos, pelo trabalho ou lazer, a agentes prejudiciais à audição. Quanto mais cedo diagnosticado o problema, maiores são chances de proteger e tratar a audição e de o paciente ter suas interações do cotidiano e convívio social inalterados.

 

Andréa Varalta Abrahão, fonoaudióloga, é diretora técnica da rede Direito de Ouvir, uma das mais importantes empresas de aparelhos auditivos no Brasil.

 

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