Reduzir áreas protegidas no Amazonas aumentará o desmatamento

Reduzir áreas protegidas no sul do Amazonas aumentará o desmatamento, alerta WWF-Brasil

 

Iniciativa de parlamentares do estado contraria os interesses nacionais previstos no Acordo do Clima e na redução do desmatamento na Amazônia

 

A proposta de um projeto de lei apresentada ontem à Casa Civil da Presidência da República de reduzir o tamanho de cinco unidades de conservação no sul do Amazonas poderá significar mais desmatamento, perda de biodiversidade, comprometimento dos recursos hídricos e aumento nas emissões de gases que causam o aquecimento global.

O alerta do WWF-Brasil refere-se à iniciativa de um grupo de deputados e senadores amazonenses que quer reduzir as áreas protegidas criadas pelo governo federal em maio do ano passado, caindo dos atuais 2,83 milhões de hectares para 1,78 milhão hectares, um corte de cerca de 40% no tamanho das UCs.

Seriam afetadas pela proposta dos parlamentares do Amazonas a Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré, as Florestas Nacionais do Aripuanã e de Urupadi, a Reserva Biológica do Manicoré e o Parque Nacional do Acari, todas na bacia do rio Madeira, além de uma parte da Floresta Nacional do Amanã, em Maués.

As Unidades de Conservação fazem parte da meta de ampliação do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) de 60 milhões de hectares na região.

A maior parte das áreas sujeitas à redução encontra-se dos municípios de Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã, na fronteira do desmatamento.

Segundo dados oficiais, esta foi uma das regiões em que cresceu o corte raso de floresta tropical entre agosto de 2014 e julho de 2015, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No período, o desmatamento no estado subiu 42%.

E a principal pressão vem da grilagem de terras, último passo em um cadeia de crimes ambientais que começa com a derrubada ilegal de árvores de maior valor comercial, seguida das queimadas, o plantio de capim e a dispersão do gado, em total desrespeito à legislação ambiental. A ponto de a ilegalidade se tornar uma atividade econômica na região.

 

Economia florestal

“As atuais áreas protegidas do sul do Amazonas são um cinturão verde que protege a floresta e as populações tradicionais que vivem na região e tiram da floresta o seu sustento”, lembra Ricardo Mello, coordenador do Programa Amazônia, do WWF-Brasil.

Segundo ele, a economia do estado do Amazonas pode se valer dos benefícios da floresta em pé, muito mais do que o desmatamento e a grilagem de terras, em que poucos ganham em detrimento da maior parte da população do estado, que perde seu valioso patrimônio natural.

Para isso, recomenda Mello, a União, o estado do Amazonas e os municípios, em acordo com os líderes políticos da região, precisam urgentemente trazer para o debate propostas para enfrentar a situação, dando perspectivas para o desenvolvimento regional com base nos ativos da floresta.

“Reduzir a proteção à floresta no sul do Amazonas é uma atitude que vai na contramão dos esforços nacionais e internacionais de uma economia de baixo carbono, inclusiva e socialmente justa”, adverte.

O WWF acredita que a grande possibilidade de melhoria da qualidade de vida da população local, está vinculada a manutenção das florestas no estado, e para isso vem desenvolvendo junto com o governo do estado um programa de implementação de UCs e geração de renda.

 

Sobre o WWF 

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWF-Brasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.
 
Junia BragaMeio AmbienteSustentabilidadeWWF