Viola de Queluz: Símbolo de Conselheiro Lafaiete

 

Dia 29 de março é uma data especial para a cidade de Conselheiro Lafaiete. É nessa ocasião que se comemora o Dia da Viola de Queluz, instrumento musical símbolo do município. Tudo começou, quando no começo do século XIX - época da colônia portuguesa, a família Meireles trouxe ao Brasil um tipo de viola da região de Porto, em Portugal. Com um formato característico e detalhes ricos, o novo instrumento ganhou o gosto popular da pequena cidade que se formava, ainda com o nome de Queluz, em homenagem ao reino lusitano.

 

Outras famílias se interessaram pela música peculiar da viola e começaram a reproduzir o apetrecho que em pouco tempo começou a virar negócio. Conta-se que no século XIX, quase 15 empresas faziam o objeto, sempre com as técnicas antigas portuguesas.

 

Na época do império, Dom Pedro II ao visitar a estrada real, acomodou-se em estalagens da cidade de Queluz e foi agraciado com uma apresentação da viola de Queluz praticada por José de Souza Salgado, patriarca de uma das famílias que produziam o instrumento. Com o feito de ter encantado o imperador, a viola foi sendo reconhecida em outras regiões, chagando a ganhar prêmios internacionais nos Estados Unidos, no início do século XX, como o mais belo som de instrumentos regionais. 

 

Como levava em si o caráter artesanal e familiar, a peça foi perdendo seu espaço e tradição com o tempo. A arte dos luthiers foi ficando no passado e na memória dos mais antigos.

 

Contudo, nos últimos anos os descendentes das antigas famílias começaram a resgatar essa história com documentos e artigos antigos. Novas violas começaram a ser produzidas e a viola de Queluz foi reconhecida como a mais importante do estado de Minas Gerais. Hoje, o instrumento é patrimônio cultural de Conselheiro Lafaiete.

 

Características

 

A viola de Queluz se diferencia das demais, principalmente, pelo seu formato. A cintura do instrumento é mais fina e delicada do que as violas comuns, o que implica na harmonia das notas e no som produzido pelo aparelho. São 12 cordas presas em cravelhas de madeira. Seu braço é bem rente ao tampo, não vai até a boca como as violas tradicionais. A madeira utilizada no corpo também é tratada. Em algumas épocas, os luthiers da região iam buscar caixotes de bacalhau no Rio de Janeiro para aproveitar a madeira portuguesa, uma vez que o pinho brasileiro não servia para a produção. Todos esses detalhes influenciam na complexa afinação do objeto, o que faz do seu som ainda mais belo.

 

Ainda assim, o aspecto mais marcante da viola de Queluz é a riqueza de detalhes. A caixa é marchetada de forma delicada com desenhos e formas tradicionais. No braço, ossos da canela do boi eram aplicados para embelezar o instrumento. E, finalmente, os desenhos de bigodes portugueses no cavalete e no rastilho são a marca registrada das violas. Sendo a essência da sua origem colonial.

 

 

 

Homenagem

 

A importância da viola de Queluz é reconhecida pela cidade de Conselheiro Lafaiete. É possível encontrar saraus e rodas de violeiros que levam o belo som das cordas ao público em violas reproduzidas pelos próprios violeiros e descendentes das antigas famílias de luthiers.

 

Alguns estabelecimentos empresariais, por exemplo, carregam a viola em sua decoração. O Minas Platinum Hotel & Convention homenageia o instrumento em um dos seus painéis decorativos no saguão principal.

 

 

 


 

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