Belas Artes é única Brasileira no Salão Satélite de Milão
 

 

Centro universitário Belas Artes de São Paulo é única instituição 
de ensino brasileira no Salão Satélite de Milão

 

Presente na emblemática edição de 20 anos, a escola participa a convite da própria
fundadora e curadora Marva Griffin

  

Com quase 100 anos de existência, o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, sempre fez do pioneirismo uma de suas bandeiras. Inaugurada em 1925, a escola é pioneira nas áreas da Economia Criativa e foi a primeira instituição de ensino brasileira a ser convidada a participar, por duas vezes consecutivas, do prestigiado Salão Satélite de Milão.

 

O Salão Satélite é uma iniciativa do Salão de Milão, principal evento de design do mundo. Voltado para jovens designers, já apresentou, em 19 edições, mais de 10 mil designers e 270 prestigiadas universidades internacionais de design, além de ter revelado ao mercado nomes como Matali Crasset (França) e Nendo (Japão). Este ano, sob o tema Design is..., a Belas Artes vai apresentar oito criações selecionadas para representá-la na 20ª edição da mostra idealizada e conduzida pela curadora Marva Griffin. "Sim quero vocês de novo lá. Abro uma exceção porque sei que vocês vão representar bem o Brasil, nesta que será uma celebração global", como ela própria expressou, durante conferência proferida na escola, em agosto passado.

 

Recebido com entusiasmo por uma plateia formada prioritariamente por estudantes, o convite tomou força e forma. Gerou um edital interno onde os estudantes da área de design foram convocados a criar, sob a supervisão do jornalista e crítico de design Marcelo Lima. Motivados por suas aspirações específicas, mas, igualmente pela expressão de seus conceitos particulares de nacionalidade, os alunos selecionados buscaram materiais e histórias para criarem peças de design que vão de bancos, luminárias e até uma rede.

 

O País inteiro, praticamente, será representado por meio das peças, seja no conceito ou nos materiais utilizados. Da Amazônia brasileira surgiu a construção de luminárias, bancos de sacros e solenes, do nordeste as redes malemolentes, utilizadas até hoje. Do universo urbano de São Paulo, a inspiração para móveis sólidos, sustentáveis, mas nem por isso menos bem-humorados. Ou ainda tecidos à moda oriental, de corte e construção assimétricos. Além disso, um passeio pelo calçadão de Ipanema, no Rio de Janeiro e uma simples semente de mamona.

 

Fato é que, além de ricas em inspiração, as peças apresentadas revelam o firme comprometimento de seus realizadores com todos os aspectos da criação. Mais que aventuras lúdicas ou abordagens não convencionais demonstram determinação em se conhecer melhor materiais, explorar estruturas, compreender propriedades técnicas brasileiras, sem cair no clichê. Algo que plenamente os capacita a atuar em um mundo pós-industrial, onde a manualidade e processos tecnológicos prometem andar juntos.

 

 

Projetos

Imagens em alta resolução e com os designers:  https://we.tl/51iWAhlkAo

 

Duas unidades de cedro, ligadas, visual e simbolicamente por uma esteira tecida pela designer com sementes conhecidas como Lágrima de Nossa Senhora. Uma conta intensamente utilizada no Brasil, no caso dos índios como adorno. Para os católicos, igualmente numerosos na região, na confecção de um terço sacro conhecido como rosário dos quinze mistérios

Pará, em Tupi-guarani, significa Grande Rio. A esteira também lembra o movimento da água de um rio.

Banco Pará – Sofia Venetucci
 

 

 

Rice&Bean – Luiz Antonio

 

 


Os bancos Arroz e Feijão fazem referência ao típico prato nacional, consumido de norte a sul do Brasil. Remetem também às duas principais metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro.

O banco Feijão é feito de cacos cerâmicos avermelhados, assim como o piso de muitas casas simples do interior do Estado. Seu assento, mais alto, caracteriza o verticalismo e dinamismo da capital paulista. Já o Arroz é branco, com seus cacos fazendo menção aos mosaicos dos calçadões do Rio.

 

 

Brasileiríssimos e bronzeados, os bancos trazem assento em madeira jequitibá, de coloração levemente avermelhada, em perfeita sintonia com uma delicada estrutura de ferro, igualmente rubra. Homenageando a música e a tão famosa calçada de Ipanema, os bancos foram apelidados por Tom e Vinicius pela designer nascida na cidade maravilhosa.

O desenho da calçada está retratado nos assuntos, inclusive suas irregularidades.

 

 

Garotos de Ipanema – Débora Vianna

 

 

 

Luminária Mona – Nathalia Nova

 

 

A mamona é uma das espécies vegetais mais difundidas e presentes tantos nas matas quanto nos terrenos baldios das cidades brasileiras, podendo ser considerada hoje uma espécie quase urbana. O seu principal produto, extraído de suas sementes, é o óleo de ricino. De largo emprego na indústria química, não existe nenhum outro vegetal com suas propriedades, o que reforça seu aspecto único.

Única também é a aparência visual de seu fruto. Aparentemente espinhoso, mas macio e agradável ao toque, é alvo do interesse das crianças em suas brincadeiras. É também muito versátil, assim como o povo brasileiro.

 


Tecidas inicialmente com cascas de árvores, depois co fibras de sisal e tecido, fato é que as redes nunca abandonaram o cotidiano dos habitantes das Américas Central e do Sul.

A Rede Águida, tramada à mão é uma peça que, executada de forma artesanal e com materiais sustentáveis, se prende ao passado indígena brasileiro na sua construção, mas aparece adaptada aos dias atuais. É também uma homenagem aos antepassados do designers, nordestinos e que ainda hoje possuem redes dentro de suas residências.

 

Rede Águida – Lucas Pereira

 

 

 

Lustre Naiá - Lucas Santos

 

 

 

A vitória-régia é uma planta aquática típica da região amazônica, situada no extremo norte do Brasil. Basicamente se constitui em uma grande folha em forma de círculo, que fica boiando sobre a superfície dos rios, podendo atingir 2,5 m de diâmetro e suportar até 40 quilos de peso.


Seu formato e ciclo de vida serviram de inspiração para inúmeras lendas entre os índios locais, sendo a mais popular delas a da nativa Naiá. Índia apaixonada pela Lua que morre afogada em um lago que refletia sua imagem, tendo se transformado na primeira vitória régia.

 


Xepa, ou melhor a hora da xepa, como falamos no Brasil, é uma expressão que indica o fim da feira. O momento em que os produtos podem ser adquiridos por preços mais em conta, uma vez que são perecíveis e não devem ser desperdiçados. Igualmente avesso a desperdícios, Xepa é um banco “friendly”, obtido a partir da simples junção e colagem de peças de madeira pinus, uma variedade sustentável e de baixo custo. Visualmente, faz alusão aos caixotes onde mercadorias que transportam frutas e legumes para as feiras.

Banco Xepa - Eric Laiza

 

 

 

A Arte que se Veste - Heloisa Gomez

 

 


Partindo de fundamentos da Kintsugi - estilo de arte japonesa em que peças de cerâmica quebradas são consertadas, mas conservando suas rachaduras aparentes, destacadas por uma mistura de laca e pó de ouro - Heloisa resolveu perseguir o belo e o único.

A designer buscou traduzir a filosofia em algo tangível, construindo tecidos capazes de trazer com eles sentimentos de pertencimento e continuidade. Em Milão, ela apresentará sua coleção de tecidos assimétricos e imperfeitos, cortados sem nenhuma intenção ou planejamento, fabricados artesanalmente.

 

 

 

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