Aumento de ameaças cibernéticas aquece setor de tecnologia

 

  • Especialistas debatem sobre o tema em seminário realizado durante LAAD Defence & Security, no Riocentro, no Rio de Janeiro

  • Biometria entra na pauta do dia dos eventos de conteúdo oferecidos pelo evento

  • Programa Espacial Brasileiro também é tema de debate

O número de ataques cibernéticos tem aumentado exponencialmente no mundo - pulou de 20 mil para 700 mil ataques por semana nos últimos três anos, segundo dados recentes da Microsoft. É cada vez maior o risco das chamadas ameaças avançadas, que focam invadir ou destruir sistemas de infraestruturas críticas, como bases de dados ou redes governamentais e militares.

“Os ataques cibernéticos estão cada vez mais profissionais. Há países que possuem exércitos de hackers com capacidade de desenvolver armas cibernéticas de alto impacto”, explica Lincoln Lopes, Diretor Comercial da Suntech, empresa participante da da LAAD Defence & Security.

Com isso, cresce também a demanda por soluções de inteligência e de segurança cibernética, beneficiando empresas que desenvolvem e fornecem tecnologia nesse setor. O aquecimento deste segmento de mercado foi percebido pelas empresas participantes da LAAD. “A feira tem uma presença massiva de fornecedores brasileiros, o que mostra que existe um resgate da confiança no mercado de defesa local”, comemora Lopes.

A Suntech, empresa brasileira sediada em Florianópolis (SC) e parceira da americana Verint, apresentou na feira seu Sistema de Proteção Contra Ameaças Cibernéticas Avançadas (TPS), que ajuda no monitoramento e registro de cada etapa de uma ameaça aos diferentes sistemas de uma mesma organização. A procura pela solução surpreendeu até mesmo o diretor. “A demanda no evento foi superior à esperada. Tivemos a procura de clientes muito interessados e recebemos visitas de comandantes e líderes de corporações do Brasil todo”, afirma Lopes.

Entre os expositores é consenso que o setor de segurança cibernética tornou-se peça fundamental para se pensar a defesa de um país. “O domínio cibernético é onde a guerra está acontecendo. Hoje é possível atacar infraestruturas críticas sem dar um tiro”, argumenta o CEO da consultoria americana Cybershield, Alberto Roncallo. A empresa, que está presente pela primeira vez na LAAD, oferece serviços para o desenvolvimento de forças de defesa cibernéticas. “Ao lado do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, a área de cibernética é a nova força de segurança de um país”, completa Roncallo.

A consultoria comemora também os resultados obtidos na LAAD. “Estamos muito satisfeitos de ter participado do evento. O público visitante é bem especializado e demonstrou muito interesse nos nosso produtos”, celebra o CEO da Cybershield.

Outra solução de segurança cibernética apresentada na LAAD é o Cyber Dome, da israelense Stefanini Rafael. Inspirada no escudo antimísseis de Israel, a tecnologia foi desenvolvida para oferecer um sistema de defesa baseado em big data e inteligência artificial capaz de antever e proteger as infraestruturas críticas de corporações e governos.

Biometria como questão técnica e não política e comercial

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (Abrid), Célio Ribeiro, alertou, durante participação no VI Seminário de Segurança LAAD que é preciso definir uma regulamentação do uso da biometria no país por parte do governo. “É fundamental que seja um projeto técnico de segurança e não um projeto como interesses políticos ou comerciais. Temos que pensar como evitar que a circulação dos dados biométricos caiam em mãos erradas”.

Ribeiro afirmou, durante a palestra “Os Desafios da Identificação Digital”, que a tendência do mercado de segurança corporativa hoje é trabalhar com mais de uma biometria para evitar fraudes. “Enquanto você está pensando em novas tecnologias já há quem esteja pensando em fraudar os sistemas”, observou.

No Painel “Questões atuais em cibersegurança corporativa”, Paulo Pagliusi, diretor de Cyber Risk Services na Deloitte, ressaltou que o ambiente é de inovação e disrupção. “Antes havia o controle do perímetro, como em um castelo medieval. Hoje vivemos a era da segurança cognitiva, em que é essencial o computador tentar imitar o ser humano. É precisa ensinar a máquina a fazer algo que nós não conseguimos como, por exemplo, atualizar a segurança de 10 mil sites diariamente”, explicou.

“Futuro do Programa Espacial Brasileiro é promissor”

O futuro do Programa Espacial Brasileiro é promissor. Quem afirma é o subchefe de Comando e Controle do Ministério da Defesa (MD), coronel Anderson Tesch Hosken Alvarenga. Ele participou do V Seminário de Defesa da LAAD Defence & Security abordando o tema “A soberania nas comunicações militares com o lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC)¨.

No aspecto de transferência de tecnologia, o país já colhe frutos. “No contrato que firmamos com a Thales Alenia Space para a construção do SGDC-1 estava prevista a presença de 50 especialistas brasileiros e órgãos e instituições como o MD, Telebras e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Eles foram capacitados e acabaram sendo contratados pela Thales”, explicou.

Hosken destacou que isso não significa que o Brasil perdeu capital intelectual para uma empresa estrangeira. “Muito pelo contrário. O país ainda não tem como manter estes profissionais envolvidos em contínuos projetos. Atuando nos desenvolvimentos da SGDC-1 da Thales passam por constantes atualizações e permanecem aptos para atender desafios futuros do programa espacial brasileiro”.

Durante a palestra, o coronel afirmou que há uma previsão dentro da  Estratégia Nacional de Defesa (END) de se promover, no país, o lançamento de foguetes com menores dimensões. Mesmo que ainda não seja possível prever o lançamento dos SGDCs, ele é otimista: “Este capital intelectual que mantemos sempre atualizados atuando nos projetos é que vão possibilitar que isso se torne realidade no futuro”.

 

Sobre a LAAD Defence & Security

Maior e mais importante feira de defesa e segurança da América Latina, a LAAD Defence & Security chega em 2017 a sua 11ª edição. Reúne bienalmente no Riocentro, no Rio de Janeiro, empresas brasileiras e internacionais especializadas no fornecimento de soluções para as três Forças Armadas e Forças Policiais. Além de exposição, o evento conta com programa de conteúdo exclusivo como o Seminário de Defesa LAAD e o Seminário de Segurança LAAD. Na última edição, em 2015, o evento reuniu 642 marcas expositoras de 41 países, 36.250 visitantes de 90 países e 170 delegações oficiais de 74 países.

Clarion Events

Por mais de 65 anos, a Clarion Events dedica-se à promoção e organização de feiras de negócios, eventos e congressos. Reúne aproximadamente 700 mil visitantes e congressistas e 12 mil expositores e patrocinadores em mais de 200 eventos realizados ao redor do mundo. A Clarion Events tem presença global – atua em 12 escritórios em 9 países e está no Brasil desde 2008.

LAAD Defence & Security 2017 - Feira Internacional de Defesa e Segurança

Data: 04 a 07 de abril

Local: Riocentro - Av. Salvador Allende, 6.555 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Horário da Exposição: 04 a 06 de Abril - das 10h às 18h / 07 de Abril - das 10h às 17h

Horário dos Seminários: 04 de Abril - das 14h às 17h / 05 e 06 de Abril - das 10h às 17h

 

 

 

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