Apego ao celular deve ser dosado

Para a professora de Pedagogia da UNIC, Daniela Coelho, o uso do dispositivo móvel em excesso pode criar dependência e afetar a vida das pessoas


 

Olhar fixo na tela, dedos inquietos e muito apego. Essa é uma realidade cada vez mais comum na relação das pessoas com o celular, principalmente entre os jovens e o aparelho. Dados da pesquisa “Radar Jovem” realizada com um grupo de brasileiros entre 18 e 25 anos, ao longo de 80 semanas, concluem que essa geração dedica, em média, seis horas diárias às redes sociais por meio do dispositivo móvel. No entanto, essa nova prática tão comum aos nossos olhos é saudável ou já é considerada dependência?

 

Segundo a professora de Pedagogia da Universidade de Cuiabá (UNIC), Daniela Coelho, a partir do momento em que o hábito de acessar as mídias sociais começa a atrapalhar os afazeres diários (trabalho, estudos e demais atividades) e quando começa afetar os relacionamentos, a maneira como olhamos e nos reportamos aos sujeitos que estão à nossa volta é hora de, em alguns casos mais complexos, pedir auxílio especializado, como ajuda de um psicólogo que poderá fazer um trabalho de uso saudável das mídias sociais.

 

“Vale lembrar que se a pessoa sente uma necessidade incontrolável de postar nas redes sociais sobre o que faz, com quem, aonde e quando, é um caso que precisa de atenção, assim como aquela pessoa que precisa saber da vida alheia para se autoafirmar. Hoje, as pessoas estão perdendo a noção de privacidade em busca da autoafirmação, resultado das relações de uma sociedade consumista e superficial”, explica a docente.

 

Cuidado com postagens



Observamos que os jovens acabam sendo os mais influenciáveis, quer por estar numa fase de transição infância-adolescência-vida adulta, quer pela pouca falta de vivência ou, ainda, por serem provenientes de famílias pouco ou, às vezes, sem estrutura emocional.

 

“Um jovem que tenha problemas de autoestima ou que venha de uma família pouco afetiva será mais suscetível a querer se autoafirmar perante este novo arranjo social, sentindo a necessidade ou até prazer em se expor nas redes sociais, mostrando o corpo ou se expondo emocionalmente, sem ter a noção de que nem sempre o outro (que está do outro lado da tela) entenderá de modo saudável o que foi postado”, detalha a especialista.

 

A pedagoga ressalta que é muito importante que os pais tenham cuidado com o que postam nas redes sociais, pois com a internet todo cuidado é pouco. “Existem grupos especializados em monitorar páginas que tenham fotos de crianças, adolescentes e mulheres, com vistas à pedofilia, tráfico de crianças, de órgãos e, também, de redes de prostituição”, alerta.



O futuro do celular



Que o apego ao celular cresceu nos últimos anos de forma intensa é perceptível, mas será que ele continuará sendo o aparelho de uso pessoal mais importante? Segundo o professor do curso Engenharia da Computação da Unopar, Luciano Soler, o celular continuará reinando, ao menos, no próximo ano. “Nos demais, é difícil prever, pois o mercado de smartphones só tem seis anos e já é uma febre mundial. No entanto, sempre pode surgir um novo produto que tenha o mesmo efeito, representatividade e força do celular”, esclarece.

 

Os aparelhos têm passado por inúmeras transformações para se adequar da melhor forma ao perfil do consumidor. Hoje, por exemplo, as telas maiores são tendência, pois neste formato, os dispositivos tornam-se mais confortáveis para assistir vídeos, filmes, jogos, além de facilitarem a interação entre usuário e dispositivo.

 

Seguindo essas mudanças, Soler acredita que no futuro os celulares serão específicos para cada necessidade. “Para conquistar determinado público os dispositivos, assim como os computadores que temos hoje, terão perfil de usuários de acordo com suas necessidades”, explica.

 

O professor destaca que, embora o mercado de dispositivos móveis esteja em alta existem desafios a serem vencidos. “Criar baterias que durem por mais tempo e carreguem mais rápido, melhorar a inteligência artificial dos assistentes pessoais como Siri, Cortana e Google Now, de forma a fazê-los entender e executar comandos mais próximos à linguagem natural”, finaliza. 
 

 

ComportamentoJuvenilS2 PublicomUNIC