O que aprendi numa instituição de ensino brasileira

 

*Camila Farani

Além de belas canções, o maestro Tom Jobim legou uma coleção de frases que mesclam sabedoria e bom humor. Dentre elas, destaco que, “no Brasil, o sucesso é uma ofensa pessoal". A frase faz referência ao incômodo que o sucesso de uma bela carreira pode despertar a quem nos cerca ou, em nós mesmos, quando o fracasso é o resultado.



Nesse ano, minha meta era fazer um curso com foco em desenvolvimento de lideranças para entender o porquê do fracasso, e outras questões, fazerem parte dos valores impressos nas relações entre os brasileiros. Para minha sorte, tive a felicidade de participar de um curso voltado à capacitação feminina, promovido pela Fundação Dom Cabral em parceria com a Smith College, que reuniu executivas da America Latina. Confesso que fiquei ressabiada por sermos somente mulheres. Porém, na primeira aula, percebi que o tema em tela não tratava de gênero, mas de reforçar pontos fortes pessoais, sejam mulheres ou homens.

 

Realizamos um teste, não tão convencional como os que temos no mercado. De imediato, aprendi a necessidade de serem alavancadas as forças pessoais, ao invés de despender energia em algo em que não somos bons. Não quero dizer que não tenhamos que melhorar nossos pontos sensíveis, mas devemos focar em aprender a otimizar os fortes por meio de ações que somos naturalmente mais assertivos.

 

No estudo de planejamento estratégico, o foco era nos resultados excepcionais – controle das ações e respostas imediatas. Mas, nem sempre! Como disse Viktor E. Frankl, "O sentido da vida é dar à vida um sentido"! Quando compartilhamos nossos própositos, profissionais ou pessoais, todos fazem parte do mesmo objetivo. Portanto, as acões não devem partir do controle. Quando engajamos outras pessoas com nossos propósitos, sejam eles profissionais ou pessoais, incluímos todos como parte de algo. Então a ideia é começar com o caos e não com o controle. O caos e a diversidade, concedem humildade para ouvir, união para resolução de problemas e senso de importância. Depois, então, buscamos a ordem.

 

Ainda nessa linha, considerando este cenário de colaboração crescente nas empresas, com base na escuta, união e valoracão, ter um planejamento adaptativo, foi um dos grandes aprendizados. Entendi, por meio de pesquisas, que nosso cérebro só pode prestar atenção a um assunto por vez. A Estratégia do Oceano Azul fez-se presente e trouxe a seguinte indagação: Se você quer se dedicar a algo, o que você deve reduzir, aumentar, eliminar e criar?

 

Comumente celebramos vendas e números. Mas, como valorizar os comportamentos que gostamos? É nessa esfera que a cultura adaptativa se opera. O líder precisa dizer que às pessoas podem falhar, que poderão errar. Mas, que o valor está no aprendizado e nas superações de situações diversificadas. O aprendizado contínuo nos coloca diante de uma diferente ótica sobre o fracasso. Aprender já é o grande negócio!

 

*Camila Farani é vice-presidente do Gávea Angels, cofundadora da gestora de startups Lab22, cofundadora do MIA (Mulheres Investidoras Anjo), consultora da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, membro do Conselho de Jovens Empresários da FIRJAN e FIESP, além de ocupar a vice-presidência do Conselho de Pequenas e Médias Empresas da Associação Comercial do Rio de Janeiro. 

 

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