Como funciona a mente dos assassinos em série
 

Fenômeno da internet, Eu vejo Kate, de Cláudia Lemes, é lançado pela Editora Empíreo

 

 

Depois de mais de dez anos estudando histórias, crimes e dados sobre serial killers, a autora Cláudia Lemes fez em seu livro de ficção o que qualquer outra obra, filme ou seriado foi incapaz de fazer: sujar as mãos ao descrever um assassino em série altamente realista que pode ser encontrado nos arquivos de polícia de qualquer lugar do mundo.

 

Lançado na internet em 2014, Eu vejo Kate – O despertar de um serial killer, agora publicado pela editora Empíreo, é um dos livros mais aguardados, do ano por leitores do gênero policial. 

 

Na trama, Kate é uma escritora imersa na produção da biografia do assassino em série Nathan Bardel. O que ela não sabe é que ao mergulhar na sombria vida do serial killer, ele próprio – mesmo já morto – passa a acompanhá-la. À medida que se aprofunda nos mistérios de Bardel, a escritora desperta outro assassino em série. Com sua vida em perigo, Kate conta apenas com o apoio do profiler do FBI, Ryan Owen, o homem que prendeu Bardel e que, agora, corre contra o tempo para deter o assassino que não deixa pistas. 

 

Com praise de Ilana Casoy, criminóloga e escritora referência nacional em serial killers, o livro oferece aos leitores um brutal e verossímil relato sobre a mente de assassinos em série e dá voz a pessoas que dedicam suas vidas a compreendê-los. Cláudia ousa ao contar uma história transgressora e instigante, em que os personagens são tão reais e palpáveis que durante a leitura é impossível rotulá-los de mocinhos e bandidos. 

 

Acompanhando a tendência da narrativa de fluxo de consciência – no qual cada narrador fala de sua experiência na mesma história - Eu Vejo Kate – O despertar de um serial killer consegue dar uma visão única à história  ao usar seus três personagens principais – Nathan, Kate e Ryan – como narradores.. Em outras palavras, o leitor poderá estar na mente de um serial killer, de uma vítima em potencial e de um policial especializado em formular perfis de criminosos. 

 

Kate está fazendo uma pesquisa neste exato momento. Ontem à noite, ela decidiu escrever minha biografia. A história da minha vida, dos meus crimes e, consequentemente, minha morte. O que Kate não sabe é que ao decidir escrever o livro, ela me atraiu. Aqui estou eu, você pode escolher do que me chamar. Fantasma, espírito, aparição, energia residual. Não importa. Sou Nathan Bartham Bardel, também conhecido como “O Esfaqueador de Damas de Blessfield”.

 

Nathan

 

“Estou em um lugar que nunca vi. Árvores. Árvores altas em torno de mim. É escuro e quente. Olho para baixo e estou sem roupas. Ouço água gotejando em uma superfície plana. Sinto que alguém está atrás de mim. “Eu vejo você Kate. Eu conheço você, Kate”, e eu sei que é ele quem está falando. Tenho tanto medo. Eu quero gritar, mas tenho medo que ele vá me machucar se eu o fizer.”

 

Kate

 

Não posso fazer mais nada sem um relatório do laboratório de crime, mas sou ousado o suficiente para abrir o olho com o dedo. O contorno do disco ainda não está embaçado, como ficaria depois de sete a dez horas após a morte. Vejo a leve coloração roxa onde o sangue assentou na parte inferior do seu corpo, que está contra o chão. Encosto um dedo e pressiono. A cor não muda. Eu olho para o sangue no quarto. Vou precisar de acesso ao relatório da autópsia, mas meu palpite baseado nesses pequenos indicativos é que ela morreu  nas primeiras horas da madrugada.” 

 

Ryan

 

Sobre a autora: Natural de Santos (SP), Cláudia Lemes cresceu no Rio de Janeiro, na Califórnia (EUA) e no Cairo (Egito). Teve a oportunidade de conhecer dezenas de países em quatro continentes e foi essa vida cheia de aventuras, a responsável por seu fascínio pela história, mente e comportamento humano. Hoje, Cláudia vive em sua terra natal ao lado do marido e de seus dois filhos. A família vai aumentar em 2015.

 

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