Intercâmbio no Quênia educação é legado, luz e esperança

Educação é legado, luz e esperança

Por André Belchior

 

 

Mesmo diante de tanta miséria, a educação no Quênia é sustentada pela perseverança dos pais e professores, que trazem esperança ao futuro de suas crianças. No país, a situação do setor é crítica e sofre com a falta de infraestrutura, principalmente nas regiões mais pobres, onde alunos deparam-se diariamente com a fome, doenças e falta de incentivo público, o que faz com que as crianças se distanciem das oportunidades de formação. 

Em um lugar onde as perspectivas de um futuro digno são remotas para a maioria da população, em meio a doenças, desnutrição, criminalidade e corrupção generalizada, a educação no Quênia depende da ação de familiares e professores para cumprir uma promessa feita pelo governo de oferecer educação gratuita para os pequenos. 

Desprovidas de recursos públicos, que não chegam de forma genuína, escolas precisam de novos aliados para construir alternativas de ensino,  impulsionar o poder de transformação por meio da educação e tornar real o sonho do diploma. 

A capital Nairóbi tem pouco mais de 3 milhões de habitantes e é possível sentir a diferença social, quando comparamos o país com a África do Sul, por exemplo. Lá, participei de um projeto social e missionário chamado Mission of Hope International in Africa (MOHI), que atende milhares de crianças provendo, principalmente, saúde e educação, além de evangelização dos princípios cristãos de vida. Conheci algumas comunidades com qualidade de vida abaixo da linha da miséria, falta de comida, esgoto a céu aberto, e muita sujeira. A experiência foi, no mínimo, impactante. 

Os pais reconhecem a importância de terem os seus filhos assistidos pela MOHI, que presta assistência às crianças, mantendo-as na escola e tratando doenças decorrentes da falta de saneamento do ambiente onde vivem. Diariamente, várias crianças sofrem com diarreia e outas patologias provenientes da falta de condições de higiene, impureza da água, dos alimentos, e de convívio com bichos como ratos e baratas. 

Em centenas de quilômetros rodados pelas estradas daquele país, meus olhos estavam atentos para as escolas, na esperança de encontrar uma resposta de como seria o futuro daquelas crianças. 

E, por isso, gostaria de compartilhar algumas lições importantes que aprendi como educador. Em muitas instituições de ensino, os obstáculos são milagrosamente superados mediante aos esforços de muitos que acreditam que a educação é a única forma de mudar a situação atual. Eles usam a criatividade para levar alimento, de compromisso para suprir os baixos salários dos professores, e de parceiros para levar material didático e infraestrutura. 

Sabendo do sofrimento da população daquele país para prover educação às suas crianças, não tive como não me emocionar ao ver frases escritas nas placas e fachadas das escolas, com reflexões profundas como “Education is Legacy” (educação é legado), “Education is Light” (educação é luz) em outra, e ainda, “Education is Hope” (educação é esperança) numa terceira. Realmente levei um ‘balde de água fria’ ao ver um país tão necessitado transmitindo mensagens que passam longe da mente daqueles que o governam. 

Entendi, definitivamente, que a educação é a única forma de se deixar uma herança positiva para a sociedade; ela é a luz que clareia como o sol do meio dia na mente das pessoas, capaz de transformar e prosperar. Ela é a esperança de uma vida mais digna em uma sociedade tão cruel. 

Na viagem levei alguns sapatos especiais (www.theshoethatgrows.com) para as crianças, pois no Quênia é muito comum que elas deixem de estudar porque contraem doenças e parasitas nos pés. Nesse programa, consegui ajudar aproximadamente 50 estudantes, juntamente com o grupo de viajantes. Esse gesto é pequeno, mas com certeza mudará o futuro delas, que já não abandonarão a escola por esse motivo. Porém, como esta não é a única causa que as fazem deixar de estudar, pretendo voltar e continuar nessa experiência, com a expectativa de levar um pouco mais de esperança para aquele país.  

*André Belchior é diretor da Anhanguera de Pirituba

  

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