Dia Mundial da Saúde: obesidade e depressão em discussão

Obesidade e depressão: no Dia Mundial da Saúde a discussão é sobre dois dos principais males que acometem o brasileiro

Psicólogos atuam durante todo o tratamento dos pacientes do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica (RJ). Os especialistas Cid Pitombo e Jacqueline Machado explicam que muitas vezes a comida é encarada como antidepressivo e companhia, levando ao aumento de peso

O Dia Mundial da Saúde é comemorado nesta sexta-feira, 7 de abril, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu a depressão como o tema da campanha de 2017. Um transtorno que pode surgir em qualquer idade e em qualquer etapa da vida - estima-se o número de 350 milhões de pessoas com depressão no mundo atualmente -, acomete de forma mais intensa alguns grupos, como, por exemplo, o de obesos. Aproximadamente 30% das pessoas que procuram tratamentos para emagrecer apresentam algum grau de depressão. É por isso que recomenda-se que o combate à obesidade seja feito de forma multidisciplinar, sempre contando com a presença de um psicólogo na equipe.

O Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica (RJ), criado em 2010 pelo médico Cid Pitombo, implementou o acompanhamento de psicólogos no período pré-operatório e por pelo menos dois anos após a cirurgia.

"É um trabalho de resgate desses pacientes, realizado com muita dedicação e seriedade por toda a equipe. Devolvemos à sociedade o paciente antes obeso que não trabalhava, que tinha vergonha de comprar roupas e que não tinha mais vida afetiva", conta o coordenador do Programa, o médico Cid Pitombo.

A psicóloga Jacqueline Machado é quem coordena esse trabalho no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

“O paciente obeso chega, na maioria dos casos, com baixa autoestima, vítima de preconceitos, muitas vezes sem trabalho, com problemas nos relacionamentos e dificuldades até mesmo para fazer sua higiene pessoal. Trabalhamos com eles a mudança de pensamento. A mudança de hábitos precisa começar antes de algo tão radical como um procedimento cirúrgico”, explica a psicóloga.

Assim como a OMS recomenda falar mais e coletivamente sobre depressão para aprender a detectá-la, os encontros dos pacientes candidatos a cirurgia bariátrica pelo SUS no Rio de Janeiro são feitos em grupo, para que todos se apoiem, uma vez por semana.

“A comida não é somente alimento para essas pessoas.  Cumpre com frequência a função de antidepressivo, ansiolítico e até de companhia. A mudança é mesmo difícil e precisa ser feita para que a operação aconteça num corpo saudável, para que a recuperação seja rápida, dentro de um processo integrado de consciência e saúde”, destaca Jacqueline Machado.

A média mensal de atendimentos ambulatoriais do Programa é de 2.000 pacientes, sendo 40 operados a cada 30 dias. Ao todo, mais de 1.600 pessoas já passaram pelo procedimento, com taxa de sucesso de 99% - eficiência equivalente aos principais centros mundiais de cirurgia.

Resultado não demora - Estudo inédito feito pela equipe do dr. Cid Pitombo apontou que a vida sexual e financeira dos ex-gordinhos só melhorou após a cirurgia. Cerca de 40% dos pacientes afirmaram que a vida sexual passou de ruim para muito boa. Outros 14% disseram que a vida entre quatro paredes passou de boa para muito boa. Os novos magrinhos também relataram aumento de mais de 30% na renda familiar.  Foi ouvida amostra de pacientes do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica, homens e mulheres, entre 20 e 50 anos, moradores de todo o Rio de Janeiro.

Pitombo é editor-chefe do livro 'Obesity Surgery: principle and practice', referência mundial no assunto, da editora McGraw-Hill.

Cid PitomboDom ComunicaçãoSaúdeSaúde Pública