Legado cultural e de mobilidade marcarão Jogos Rio 2016

A época dos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha, em 1992, o prefeito Pasqual Maragall dizia: “Há dois tipos de Jogos: os que servem à cidade e os que se servem da cidade”. Tomando a capital catalã como referência, a organização dos Jogos de 2016 quer o Rio de Janeiro enquadrado na primeira das opções. Dessa maneira, diversos projetos estão em andamento na capital carioca e em várias regiões do país, pautados na consolidação de um legado antecipado do evento.


Com o objetivo de analisar os potenciais benefícios trazidos ao país pela realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, foi lançado o livro "Depois dos Jogos: pensando o Rio para o pós 2016". A obra reúne artigos organizados pelo economista Fábio Giambiagi. Um deles trata especificamente sobre o legado olímpico, assinado pelos autores Jean Caris, subsecretário de Planejamento e Modernização da Gestão, da Casa Civil do Rio de Janeiro, Joaquim Monteiro, presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), e Rodrigo Rosa, assessor especial da Prefeitura do Rio de Janeiro.


Em entrevista ao portal brasil2016.gov.br, Joaquim Monteiro e Rodrigo Rosa ressaltaram as diferentes áreas em que já é possível ver o legado do evento multiesportivo. Um trecho do artigo afirma que “O ‘espírito olímpico’ pode ser um catalisador de mudanças profundas e de superação de desafios estruturais”. Para os dois, os principais benefícios estão relacionados à transformação cultural da população e aos ganhos para a mobilidade urbana.


“Grande parte dos cariocas não liga necessariamente essas transformações ao impulso dado pelos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Por isso, é importante disseminarmos ao máximo os benefícios proporcionados nas áreas de transporte, infraestrutura urbana, desenvolvimento social e meio ambiente”, afirma o presidente da EOM, destacando que algumas obras foram concluídas anos antes da competição, como o BRT Transoeste, a reforma do Sambódromo e as inaugurações do Centro de Operações Rio (COR) e do Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica.


Joaquim Monteiro aponta que o Rio de Janeiro teve um grande aumento na frota de automóveis, o que comprometeu a qualidade do tráfego. Por isso, ressalta a importância das transformações relacionadas ao transporte urbano. “Se considerarmos a profunda mudança que está sendo implementada na área de mobilidade urbana, acredito que esse será o maior legado dos Jogos”, afirma, elogiando a implantação dos corredores de BRT e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).


Para Rodrigo Rosa, o setor está avançando até mesmo além do esperado. “Embora seja um legado olímpico, ele não está ocorrendo às vésperas do evento, mas sendo construído e entregue à população ao longo desses sete anos desde a vitória da candidatura”, pondera. “As Olimpíadas são um catalisador, um elemento inspirador para fazermos as mudanças saírem do papel e se tornarem realidade”, completa.

 

Repercussão cultural e social


Para o representante da prefeitura, no entanto, o maior legado é o da transformação cultural, sobretudo na população carioca. “O mais importante é o legado intangível, a mudança de cultura e de percepção. Isso é o cerne da transformação de Barcelona e que, a nosso ver e apesar das dificuldades, está acontecendo no Rio também com as Olimpíadas”, ressalta. “É uma experiência que não acaba após a cerimônia de encerramento dos Jogos, mas que vai ter desdobramentos muito além de 2016. É o que dá lastro e sustentação a mudanças de longo prazo”, afirma, acrescentando ainda que já enxerga
uma sociedade civil mais ativa e mobilizada, além da existência de movimentos sociais e de campanhas de conscientização.


Nesse aspecto, o presidente da EOM acredita no papel educador dos Jogos de 2016. “Certos maus hábitos, como jogar lixo no chão, ainda precisam ser corrigidos. Avançar nesses temas é um trabalho de longo prazo, e acredito que os Jogos são uma ótima chance que temos no sentido de educar a população e evoluir cultural e socialmente”, deseja.


A preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável, com combate às mudanças climáticas nas grandes metrópoles, é a pauta central da rede global de cidades C40, atualmente presidida pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. “As transformações do Rio de Janeiro são vistas pelo mundo em termos de mudança urbana. Há componentes de sustentabilidade muito fortes, como na mobilidade, no resíduo, na arquitetura nômade, no aproveitamento máximo das estruturas, na redução do impacto ambiental”, explica Rosa. “Queremos aproveitar essa visibilidade para mostrar como a cidade está se transformando. Não há dúvidas de que vai ser um momento de virada”, aponta.


 

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